MATEUS PEDROSA
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Expectativas não faltavam para o Clássico das Multidões deste domingo (17) pelo Campeonato Pernambucano. Para o primeiro jogo do ano protagonizado por Sport e Santa Cruz esperava-se bastante emoção e pressão, esta pesando para o lado rubro-negro, devido à vexatória eliminação na Copa do Brasil para o Tombense. Porém, nem multidão o jogo conseguiu atrair. De fato, público muito abaixo do cabível nas imensas arquibancadas do Arruda (16.483 espectadores). No âmbito futebolístico, um jogo morno, com pouca intensidade e criatividade baixíssima.
Em jogos de equipes de potenciais similares, é comum a alternância de dominação em intervalos de tempo no jogo. No Clássico, isso ocorreu, mas de forma espaçada. Nitidamente, o Leão foi melhor no 1º tempo, e a Cobra Coral, no 2º tempo. O Sport conseguiu ser melhor quando acionou seus pontas, Ezequiel e Guilherme, para explorarem suas velocidades rumo à linha de fundo ou para quebrar as linhas de marcação com dribles. Somente dessa forma que o time conseguiu incomodar o adversário, o que revela escassez de criatividade pelo meio. Após o jogo, o técnico Milton Cruz ainda deu declaração deplorável de que o time foi superior ao adversário e teve criatividade durante todo o jogo, indo de encontro ao que foi visto claramente na partida.
Já o Santa sobressaiu-se no segundo tempo com uma postura tática bem definida para a composição de um time reativo. Esperou o time adversário, e explorou seus erros no contra-ataque. Aproveitando o espaçamento existente entre todo o time do Sport e a ausência de criatividade no meio, o Tricolor incomodou quando saiu em velocidade no contra-ataque, em estratégia que deu certo por parte do técnico Leston Júnior.
Em uma partida sem um futebol exuberante, outros fatores foram notáveis, mas de forma negativa, para o esporte. É triste ver um ídolo do Sport e um grande jogador do futebol pernambucano em má fase no seu fim de carreira. O goleiro Magrão falhou de forma irreconhecível no gol feito por Allan Dias.
Além disso, a confusão gerada no fim do jogo entristece os admiradores do futebol. Tudo por um lance discutível na área do Santa que poderia gerar a penalidade máxima em favor do Sport. Se o árbitro Luiz Sobral realmente errou, lamenta-se pela influência direta na partida. Porém, nesse caso, nada justifica a postura abusiva de praticamente todo o time do Sport com o juiz.
O que aflige ainda mais, como humano, é observar a postura do atacante Juninho do Sport, que foi expulso após o jogo e se comportou pessimamente frente ao repórter Victor Pereira (CBN) próximo ao vestiário. O atleta já teve portas fechadas pelo Sport, pelo Corinthians, tem um passado violento e, frente ao momento de mostrar que aprendeu, de se redimir, de convencer a todos que se tornou uma pessoa melhor, falhou novamente ao derrubar o microfone do profissional do rádio pernambucano.