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Ocorrido no CT do Flamengo traz vários questionamentos ao mundo do futebol

MATEUS PEDROSA
pedrosa@portalrcf.com.br

Desde a última sexta-feira (8), o rubro e o negro não significam apenas as cores de Flamengo, Sport, Vitória, mas também a triste e dolorosa lembrança de dez vidas e sonhos promissores interrompidos cruelmente. Com o acontecimento do incêndio no Centro de Treinamento Ninho do Urubu e seu consequente desastre, vários questionamentos vieram à mente.
Questionamentos relevantíssimos dentro do contexto do fato acerca das licenças necessárias para o alvará de funcionamento do CT, do projeto mal elaborado da planta dos dormitórios, do material incorreto utilizado no contêiner que provavelmente é inflamável, do não noticiamento à prefeitura da utilização do local para dormitório em vez de estacionamento, dentre tantos porquês aparecem de imediato. 
Porém, acredito que a reflexão tem que tocar um ponto mais intrínseco. Há tempos que se debate a importância do esporte como instrumento de transformação da realidade, no âmbito financeiro, mas principalmente no socio-educacional. Pois bem, se os clubes projetassem suas organizações de base para o fim maior de formar um cidadão íntegro, cada detalhe nos Centros de Treinamento seria minuciosamente analisado para alinhá-lo a tal objetivo. Com raras exceções, o plano principal gira em torno do capital que os jogadores podem gerar, reduzindo vidas esperançosas a meros cifrões. Aqui é que se encontra o maior problema de toda essa conjuntura. E isso é uma das principais razões da categoria profissional ser mais valorizada que as categorias de base. Simplesmente porque gera mais renda.
Claro que de imediato é bastante árduo mudar esse tipo de crença, mas essa lógica há de ser repensada desde já para, talvez, a médio prazo seja possível detectar algumas transformações. Para agora, é necessário cautela para apuração do acontecimento no CT do Flamengo, fiscalização permanente em todos os clubes e, como é praticamente impossível cobrar que os indivíduos tenham a boa vontade de gastar mais com a infraestrutura de uma categoria pouco rentável até os 16 anos (a partir dessa idade é que os jogadores podem assinar contrato), não tem outro caminho a não ser a elaboração de uma lei objetiva, clara e eficiente.
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