RAFAEL PEREIRA A bola só vai rolar no dia 14 de junho, mas o Brasil já começou a Copa América 2019 com sorte, não deve ter problemas para se classificar para as quartas de final, e caso tenha precisaremos cobrar e muito a seleção pela grande diferença técnica em relação aos adversários.
Separando cada adversário da chave, o Brasil estreia contra a Bolívia, o mais fraco de todos da chave e do torneio ao lado do Catar. A seleção brasileira tem obrigação não só de vencer, mas de jogar bem contra os bolivianos, costumam jogar com a maioria dos jogadores dedicados na marcação muito pela pouca qualidade de seus atletas; a maioria dos que são convocados nos últimos anos são os jogadores que atuam no próprio país e se destacam no futebol local. Vale ressaltar que apesar do elenco ser fraco tem experiência internacional, a maioria dos convocados atuam por The Strongest, Jorge Wilstermann e Oriente Petrolero, clubes que frequentemente disputam Libertadores da América e Copa Sul-Americana. O destaque do time é Marcelo Moreno, atacante conhecido no Brasil pelo tempo que jogou por aqui, atualmente joga no futebol Chinês.
Muitos estão acostumados a considerar a Venezuela um saco de pancadas junto à Bolívia, mas a verdade é que os venezuelanos possuem uma geração com bons jogadores e um time mais organizado, a prova disso é que a maioria de seus atletas atua na Europa, mesmo sem nenhum deles atuar em um gigante europeu, estão acostumados a enfrentar os craques latino-americanos em grandes ligas. É bom lembrar da última Copa América, em que a Venezuela fez 7 dos 9 pontos possíveis em um grupo com Uruguai e México, só não foi primeira da chave porque o saldo de gols dos mexicanos era melhor, sua eliminação foi diante da Argentina nas quartas de final.
Analisando o elenco, considero um pouco desequilibrado, enxergo os jogadores do setor ofensivo muito melhores do que os de defesa, mas contra o Brasil todos devem priorizar a marcação. O jogador mais famoso do elenco é Rondón, o centroavante joga na tão badalada Premier League pelo Newcastle, mas eu também destacaria outro jogador, Josef Martínez, também acostumado a jogar como a referência no ataque. Apesar de atuarem na mesma posição, os dois atacantes são muito diferentes, Rondón é alto, forte e brigador, sua especialidade é o cabeceio, um dos melhores da América do Sul nesse fundamento; enquanto Martínez é baixinho e muito veloz, gosta do famoso 1 contra 1 e finaliza muito bem, inclusive de cabeça, apesar da pouca altura tem uma impulsão muito grande; o jogador foi destaque e artilheiro do Atlanta United na última temporada, atual campeão da MLS.
Por último, a seleção peruana que incomodou muito mais do que estávamos acostumados nos últimos anos, foi bem nas eliminatórias e se classificou para a Copa do Mundo da Rússia, 3º lugar na Copa América de 2015 e líder do grupo B na Copa América 2016 em que estavam Brasil e Equador. Promete ser o adversário mais difícil da seleção brasileira, elenco muito experiente e que joga junto há muito tempo, o principal desafio do técnico Ricardo Gareca será uma renovação do time nos próximos anos, visto que maioria das referências do time já passou dos 30 anos, sem perder o nível de competitividade atingido por esse grupo, que joga sem temer camisa de nenhum adversário.
Enfim, Venezuela e Peru estão crescendo bastante e devem trazer um pouco mais de dificuldade, mas ainda estão distantes do nível da seleção brasileira, enquanto a Bolívia é aquele adversário ideal para uma goleada logo na estreia, jogar bem e conquistar a torcida para restante do campeonato.