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( (Foto: Wilson Dias/Agência Brasil) )

Bolsonaro pode ter influência nas eleições de 2020 no Recife, seja positiva ou negativa

LUCAS ROCHA Com o fim do pleito para presidente do ano passado, ficou claro que o presidente Jair Bolsonaro (PSL) não foi preferência no Nordeste do país. Na região, Bolsonaro ficou com 30,3% dos votos válidos, enquanto o candidato derrotado no 2º turno, Fernando Haddad (PT), obteve 69,7% dos sufrágios. No total, Haddad obteve 20,3 milhões, enquanto Jair ficou com 8,8 milhões de votos. Na capital pernambucana, em eleição apertada, Haddad venceu no 2º turno com 52,50% (482.673 votos), enquanto Bolsonaro teve 47,50% (436.764 votos), uma votação expressiva em uma cidade nordestina e que foi governada pelo PT por doze anos. Diante disso, é possível vislumbrar uma influência do presidente da República nas eleições municipais do Recife, seja positiva ou negativamente.


Sabe-se que o prefeito Geraldo Julio (PSB) está no segundo mandato e deverá emplacar um postulante à sucessão na prefeitura do Recife. Um nome que deve ser observado no quadro atual é o do deputado federal João Campos (PSB), que figura como possível sucessor de Geraldo na direção da capital. Campos que, inclusive, anda visitando várias comunidades do Recife, refazendo a "rota da esperança", movimento criado pelo deputado durante a campanha de 2018. João foi eleito o deputado federal mais votado do Estado, obtendo 460.387 votos. O PSB já demonstra seu caminhar pela oposição ao governo de Bolsonaro, o que poderá ser um ponto negativo para a sigla no pleito vindouro, levando em consideração a participação direta do presidente na disputa, já que na capital o PSL obteve quase 48% dos votos válidos no segundo turno.


Outro destaque na eleição passada, a deputada federal Marília Arraes (PT) também pode ser levada em consideração na disputa pela prefeitura do Recife. A deputada, segunda mais votada do Estado - ficando atrás do primo, João Campos - obteve 193.108 votos na disputa, e também se posiciona como oposição ao governo Jair Bolsonaro. Marília postulava o cargo de governadora nas eleições de 2018, e chegaria forte, entretanto, nas convenções nacionais realizadas pelo Partido dos Trabalhadores sua pretensão fora dissipada, com o decisão do partido em apoiar o então candidato à reeleição Paulo Câmara. Marília segue como potencial candidata, mas não se sabe se o PT apoiará novamente o seu nome, haja vista que o partido, no Recife, retornou há pouco para a base aliada do Governo Geraldo Julio. No entanto, para uma participação mais incisiva do presidente Bolsonaro nas eleições municipais aqui em Recife, deve-se exigir um pouco de atenção já que o PSL não tem um nome da envergadura dos citados acima para a disputa. Entretanto, acredito que, caso haja o interesse do presidente nas eleições daqui, a ideia de apoiar um candidato de uma sigla aliada pode surtir um efeito mais significativo. Um nome alternativo à esquerda seria do deputado federal Túlio Gadelha (PDT), que tem ganhado destaque no campo político e também nas redes sociais. Em outra ala da oposição, disputam uma candidatura provavelmente os deputados federais Silvio Costa Filho (PRB), André Ferreira (PSC), os estaduais Priscila Krause (DEM), Daniel Coelho (PPS) e Marco Aurélio (PRTB). Silvinho já começou ganhando destaque na Câmara Federal ao criar uma Frente Parlamentar com mais de 250 apoiadores em prol do Pacto Federativo, ao defender uma revisão na distribuição do orçamento da União. Priscila Krause é a atual líder do DEM na Assembleia Legislativa e exercerá a função de líder da oposição em 2020, ano eleitoral. A seu favor, poderá haver o movimento de participação das mulheres na política, bem como a representatividade delas.


Um nome que também pode ser citado é o do deputado federal André Ferreira (PSC). O político é irmão do atual prefeito de Jaboatão dos Guararapes, Anderson Ferreira (PR), e filho do deputado estadual Manoel Ferreira (PSC). André, que já foi vereador do Recife mais de uma vez, pode ser apoiado pelo presidente, levando em consideração a questão dos discursos, evidenciados principalmente pela esfera religiosa, na qual Ferreira apresenta bastante destaque, sobretudo no meio evangélico. O atual líder da oposição estadual é Marco Aurélio (PRTB), aliado do senador Fernando Bezerra Coelho (MDB), que poderá ser líder do governo do presidente Bolsonaro no Senado. Marco Aurélio é autor de proposta que torna o vice-presidente Hamilton Mourão, seu colega de partido, em cidadão do Recife, em nítido aceno ao bolsonarismo. A disputa pela 'benção' do bolsonarismo no Recife também pode ser do DEM, que tem três ministérios no Governo Federal, e tem Priscila como possível candidata. O deputado Daniel Coelho já disputou duas vezes a Prefeitura do Recife (2012 e 2016) em oposição ao PSB e é considerado por alguns com certa fadiga para enfrentar os socialistas novamente. Entretanto, ele ainda tem um eleitorado considerado, bem como imersão em diversas áreas da sociedade civil. Mas há de se avaliar a envergadura dentro da população.


Todas essas situações devem ser observadas mediante o desempenho de Bolsonaro à frente da gestão do país durante este ano e o início de 2020. Se for bem e apoiar alguém, poderá emplacar vencedores no pleito e ainda melhorar sua aceitação perante os nordestinos. Se for ruim..... Vamos aguardar que o tempo vai esquentar.



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