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( Luciano Bivar, eleito deputado federal em sétimo lugar com 117.943 votos nas eleições de outubro (Foto: Agência Câmara) )

Opinião: 'Lugar de mulher é onde ela quiser'

MANOEL NETO O período eleitoral já passou. É tempo de organizar os rumos, definir estratégias e colocar, dentro dos moldes previstos na Constituição e nas leis, o país no caminho do crescimento. Mesmo assim, parece que o grupo político do presidente Jair Bolsonaro (PSL) não cansa de se envolver em declarações equivocadas, radicais ou, muitas vezes, desrespeitosas. E o último decidido a dizer asneiras parece que foi o pernambucano Luciano Bivar, deputado federal e presidente nacional do partido que abrigou Bolsonaro.


Em entrevista à Folha de S. Paulo, respondendo questionamentos sobre o suposto caso de uma candidatura laranja no PSL, Bivar decidiu engrandecer o seu ponto de vista emitindo uma opinião sobre a questão de gênero na política. Disse que política é uma questão de “vocação”. Afirmou que é muito mais da natureza feminina criticar do que ter interesse pela vida pública. Indica que “não é muito da mulher”. Ao associar essa questão à vocação, é possível deduzir, pela fala do deputado, que os homens têm mais vocação para a política do que as mulheres.


Qualquer que tenha sido a caverna em que Bivar chegou a essa conclusão, ela é de todo equivocada. Parece muito mais uma declaração vinda do Período Colonial. Bem informado e instruído que é, Bivar certamente sabe das lutas femininas para a garantia dos direitos sociais, da participação política e na busca pelo seu espaço na sociedade. O pensamento evoluiu (ainda bem) e, com isso, esse tipo de ideia se mostra antiquada e desrespeitosa. Até mesmo dentro do seu próprio campo político: a exótica deputada federal Joice Hasselman (PSL-SP) promete, hoje, ser uma das maiores vozes do PSL na onda renovadora do parlamento. O impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, tão defendido pelo presidente Bolsonaro (deputado no período), só prosperou pela luta incansável de Janaína Paschoal, hoje deputada estadual, eleita pelo próprio PSL, com votação recorde no estado de São Paulo.


O núcleo de Jair Bolsonaro parece obstinado a buscar soluções para corrigir as fraturas sofridas pela economia brasileira nos últimos anos. Mas, para governar, é preciso mais do que isso: mostrar à sociedade um compromisso com a igualdade e o respeito a todos, respeitando as aspirações de cada um. Declarações desse tipo em nada contribuem para esse objetivo. Alguém precisa lembrar ao deputado Luciano Bivar que, hoje, a mulher não mais precisa da opinião de outrem para descobrir sua própria vocação. O lugar delas é aquele em que elas quiserem estar.

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